VIDEOARTE Nam June PaikNam June Paik o pioneiro da videoarte morre nos EUA
“Nam June Paik queria tanto encontrar o equivalente visual da música electrónica de John Cage que, em 1963, comprou 13 televisores e transformou-os numa obra de arte feita de padrões ópticos. Estava inventada a videoarte e o seu "pai" continuou, desde então, a explorar as potencialidades estéticas e conceptuais deste novo meio universal. Faleceu no passado domingo, na sua casa de Miami, aos 73 anos.
Muito debilitado depois da trombose que, há dez anos, lhe paralisou o lado esquerdo e o deixou numa cadeira de rodas - nesse mesmo ano de 1996 a Culturgest apresentou, em Lisboa, a exposição The Electronic Super Highway -, este criador pioneiro teve um "impacto profundo e constante na cultura mediática de finais do século XX", recorda no site do artista John Hanhardt, curador do Museu Guggenheim de Nova Iorque e responsável pela retrospectiva ali realizada em 2000.
Membro do Fluxus - movimento avant-garde que preconizava a fusão de todos os meios e disciplinas artísticas, e que congregou George Maciunas, Joseph Beuys ou Yoko Ono -, Nam June Paik foi, como escrevia ontem o The New York Times, "o mais Pop dos artistas Pop".
Nascido em 1932 em Seul, Paik estudou piano e composição até a sua família ter abandonado a Coreia, em 1949, por causa da guerra. Instalaram-se em Hong Kong, depois no Japão, e em 1956 concluiu a licenciatura na Universidade de Tóquio, com uma tese sobre o compositor austríaco Arnold Schönberg.
Prosseguindo os estudos musicais na Universidade de Munique e na Academia de Música de Freiburgo, o então compositor acabou por conhecer John Cage e os seus trabalhos experimentais no campo da electrónica e com "pianos preparados", cujo som era alterado por objectos colocados junto às cordas.
Depois de performances com gravações de música e efeitos sonoros, como a que realizou em 1960 em Colónia - após ter cortado a gravata de Cage, George Maciunas convidou-o para o Fluxus -, Paik chegaria ao seu meio privilegiado de trabalho a imagem e as imensas possibilidades escultóricas oferecidas por novas tecnologias como o vídeo.
Em Nova Iorque, apresentou a célebre performance Cello Sonata Nº 1 for Adults Only, que misturava televisores e a interpretação, em tronco nu, da violoncelista Chalotte Moorman, sua colaboradora. Em 1967, uma actuação similar valeu a ambos uma breve detenção.Cidadão norte-americano desde 1976, Nam June Paik fez instalações, concebeu robots e celebrizou-se com obras como Video Fish (52 monitores "cobertos" por um aquário), TV Buddha (peça irónica em que uma escultura de Buda é filmada e transmitida em circuito fechado) ou The More the Better, torre com 1003 monitores feita para os Jogos Olímpicos de Seul.
As cerimónias fúnebres do artista realizam-se sexta-feira, em Nova Iorque, cidade onde trabalhava.”
In DN Online 01/02/2006
The official website
The Nam June Paik Museum
The worlds of Nam June Paik


